Vote Gaddafi pra OTAN.
Os palestinos seguem morrendo por falta de comida e moral, frente a um isolamento internacional promovido pelos americanos, sionistas e americanos-sionistas. Com a Europa hipócrita à garupa. Tudo pela falta de reconhecimento do Hamás como um movimento legitimo, posição que não mudou nem com sua eleição democrática pelo povo palestino. Ao mesmo tempo, os líderes europeus recebem de braços abertos ao ditador líbio Gaddafi, que até ontem estava no top da lista dos terroristas. É que a vida das crianças palestinas não é moeda valorizada no mercado internacional, a energia e o petróleo da Líbia sim.
Com a palavra: Pravda
E ainda tem gente que duvida da manipulação da mídia. Como todos os jornais do ocidente só repassam a informação que geram Reuters e CNN, fica muito fácil conduzir a informação na direção que se deseja. Vivemos baixo um encantamento, uma falsa sensação de multiplicidade de fontes que na verdade não passam de propulsores, conectores, testas de ferro destes monstros desinformativos.
Só pra ter uma idéia, basta buscar em qualquer jornal ocidental – sem nenhum sucesso – a seguinte notícia, publicada no Pravda online:
“O barco USS McFaul, que está atualmente no porto georgiano de Batumi, carrega aproximadamente 50 mísseis tomahawks a bordo. Estão carregados com cabeças nucleares destinadas a atingir alvos terrestres. O restante dos barcos da OTAN estão atualmente concentrados na parte norte do mar negro. É estranho que um grupo tão grande destes barcos hajam chegado para um exercício militar com Bulgária ou Romênia. Usualmente, somente um ou dois barcos participam em tais exercícios, pelo que a desculpa de um exercício não suporta a nenhuma crítica.”
Qual o desejo dos americanos em uma nova guerra fria?
007 contra Rússia
Reconhecem Kosovo, mas criticam os russos.
Invadem Afeganistão, mas criticam os russos.
Promovem ditadores em meio mundo, mas criticam os russos.
Passam por cima do direito internacional e invadem o Iraque, mas criticam os russos.
Possuem bases militares em todos os países pelos que já passaram, mas criticam os russos.
Permitem a invasão israelense na Palestina, mas criticam os russos.
Permitiram a invasão israelense no Líbano, mas criticam os russos.
Desbancam pela força dezenas de presidentes eleitos pelo povo, mas criticam os russos.
Instalam bases militares em pleno coração da Europa, mas criticam os russos.
Será uma forma de promover o novo 007?
Não creio na Reuters
Tua boca de batom fede a tabaco.
Teu sorriso encerra a gargalhada.
Teu esmalte oculta o sangue alheio.
Não creio no que vejo.
Tua voz cala as palavras.
Teu bom dia guarda um adeus.
Teu violino é solitário.
Não creio no que escuto.
Tua liberdade faz prisioneiros.
Tua vida se alimenta de mortos.
Tua bandeira branca é corda de forcas.
Não creio no que creio.
Meus olhos estão fechados.
Meus ouvidos, silenciosos.
Minha mente, atrofiada.
Agora só creio em não te crer.
Red Voltaire e a liberdade de expressão
Em pleno auge da propaganda anti-China, quem utiliza como maior estandarte a falta de liberdade de expressão no gigante asiático, a web da Red Voltaire, ilustre web de jornalismo não-alinhado, foi fechada depois da publicação de um artigo que vincula Sarkozy com a CIA. O texto já não está disponível no site, fora de funcionamento, mas pode ser lido em distintas web, inclusive aqui (em espanhol).
Carteira de Identidade (Mahmud Darwish)
Registra-me
sou árabe
o número de minha identidade é cinqüenta mil
tenho oito filhos
e o nono… virá logo depois do verão
vais te irritar por acaso?
Registra-me
sou árabe
trabalho com meus companheiros de luta
em uma pedreira
tenho oito filhos
arranco pedras
o pão, as roupas, os cadernos
e não venho mendigar em tua porta
e não me dobro
diante das lajes de teu umbral
vais te irritar por acaso?
registra-me
sou árabe
meu nome é muito comum
e sou paciente
em um país que ferve de cólera
minhas raízes…
fixadas antes do nascimento dos tempos
antes da eclosão dos séculos
antes dos ciprestes e oliveiras
antes do crescimento vegetal
meu pai… da família do arado
e não dos senhores do Nujub
e meu avô era camponês
sem árvore genealógica
minha casa
uma cabana de guarda
de canas e ramagens
satisfeito com minha condição
meu nome é muito comum
registra-me
sou árabe
sou árabe
cabelos… negros
olhos… castanhos
sinais particulares
um kuffiah e uma faixa na cabeça
as palmas ásperas como rochas
arranharam as mãos que estreitam
e amo acima de tudo
o azeite de oliva e o tomilho
meu endereço
sou de um povoado perdido… esquecido
de ruas sem nome
e todos os seus homens… no campo e na pedreira
amam o comunismo
vais te irritar por acaso?
registra-me
sou árabe
tu me despojaste dos vinhedos de meus antepassados
e da terra que cultivava
com meus filhos
e não os deixaste
nem a nossos descendentes
mais que estes seixos
que nosso governo tomará também
como se diz
vamos!
escreve
bem no alto da primeira página
que não odeio os homens
que eu não agrido ninguém
mas… se me esfomeiam
como a carne de quem me despoja
e cuidado…cuida-te
de minha fome
e minha cólera.
Muhammad (Mahmud Darwish)
Muhammad,
acurrucado en brazos de su padre, es un pájaro temeroso
del infierno del cielo: papá, protégeme,
que salgo volando, y mis alas son
demasiado pequeñas para el viento… y está oscuro.
Muhammad,
quiere volver a casa, no tiene
bicicleta, tampoco una camisa nueva.
Quiere irse a hacer los deberes
del cuaderno de conjugación y gramática: llévame
a casa, papá, que quiero preparar la lección
y cumplir años uno a uno…
en la playa, bajo la palmera…
Que no se aleje todo, que no se aleje…
Muhammad,
se enfrenta a un ejército, sin piedras ni
metralla, no escribe en el muro: “Mi libertad
no morirá” -aún no tiene libertad
que defender, ni un horizonte para la paloma
de Picasso. Nace eternamente el niño
con su nombre maldito.
¿Cuántas veces renacerá, criatura
sin país… sin tiempo para ser niño?
¿Dónde soñará si se queda dormido…
si la tierra es llaga… y templo?
Muhammad,
ve su muerte viniendo ineluctable, pero
se acuerda de una pantera que vio en la tele,
una gran pantera con una cría de gacela acorralada; mas al
oler de cerca la leche
no se abalanza,
como si la leche domara a la fiera de la estepa.
“Entonces -dice el chico- me voy a salvar”.
Y se echa a llorar: “mi vida es un escondite
en la alacena de mi madre, me voy a salvar… yo daré fe”.
Muhammad,
ángel pobre a escasa distancia del
fusil de un cazador de sangre fría. Uno
a uno la cámara acecha los movimientos del niño,
que se funde con su imagen:
su rostro, como la mañana, está claro,
claro su corazón como una manzana,
claros sus diez dedos como cirios,
claro el rocío en sus pantalones.
Su cazador debería habérselo pensado
dos veces: le voy a dejar hasta que sepa deletrear
esa Palestina suya sin equivocarse…
me lo guardo en prenda
y ya le mataré mañana, ¡cuando se revuelva!
Muhammad,
un jesusito duerme y sueña en
el corazón de un icono
fabricado de cobre,
de madera de olivo,
y del espíritu de un pueblo renovado.
Muhammad,
hay más sangre de la que precisan los noticiarios
y a ellos les gusta: súbete ya
al séptimo cielo,
Muhammad.
Seis anos e meio em Guantánamo
Leia a seguir, trecho do depoimento de Sami El-Haj, jornalista sudanês da rede Al-Jazira, libertado após seis anos e meio de detenção na Baía de Guantanamo. (tirado do Blog do Bourdoukan)
“Eles nos espancavam com golpes. Cobriam-nos de insultos racistas. Encerravam-nos em peças frias, abaixo de zero, com uma única refeição fria por dia. Suspendiam-nos pelas mãos. Impediam-nos de dormir e, quando se dormitava, batiam-nos na cabeça. Mostravam-nos filmes mostrando sessões de torturas atrozes. Mostravam-nos fotos de torturados mortos, tumefactos, sanguinolentos. Mantinham-nos sob a ameaça de nos transferir alhures para nos torturas ainda mais. Lançavam-nos água fria. Forçavam-nos a fazer a saudação militar ouvindo o hino dos Estados Unidos. Forçavam-nos a vestir roupas de mulheres. Forçavam-nos a olhar fotos eróticas. Ameaçavam-nos de violação. Punham-nos nus, faziam-nos marchar como asnos, mandando-nos ir aqui e ali. Mandavam-nos sentar e nos por de pé 500 vezes seguidas.
Humilhavam os detidos envolvendo-os na bandeira estado-unidense e israelense, o que era uma maneira de dizer que estamos encerrados no quadro de uma guerra de religião.
Quando, coberto de piolhos, sujo, o detido é tirado da sua cela para ser submetido a novas sessões de torturas, para o levar a colaborar, ele acaba por dizer não importa o que e não saber mais quem é. Sofri mais de 200 interrogatórios sob tortura. Noventa e cinco por cento das perguntas referiam-se à Al-Jazira. Queriam que aceitar trabalhar como espião no seio da Al-Jazira. Em troca, ofereciam-me a nacionalidade estado-unidense, para mim e minha família, e um salário em função dos meus resultados. Recusei. Eu lhes repetia que a minha profissão é de jornalista, não a de espião, e que tinha o dever de fazer conhecer a verdade e trabalhar para que os direitos do homem sejam respeitados”.

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